Tao Yin Chikung e seus efeitos no ser humano

Tao Yin Chikung e seus efeitos no ser humano

Tao Yin Chikung e seus efeitos no ser humano

Há muito que o Dao Yin qigong, como arte remota, tem um efeito saudável no corpo humano. Muitas lendas se contam mas recentemente, este efeito foi comprovado na prática clínica através de investigações médicas. Vejamos a influência do qigong no nosso organismo.

 

1. No Sistema Nervoso

 

O córtex cerebral é a parte mais importante do sistema nervoso. Os efeitos positivos do qigong no cérebro podem ser observados por electroencefalograma, um exame através do qual é possível registar e interpretar a actividade eléctrica do cérebro. Esse exame é conhecido pela abreviatura EEG. O EEG de um adulto normal, calmo e em plena consciência é composto de ondas alfa, ondas oscilantes regulares e repetidas. Quando um indivíduo está excitado ou sobressaltado, as ondas alfa são substituídas por ondas de baixa voltagem, rápidas e irregulares. Quando está sonolento ou sob hipnose, são ondas teta lentas que aparecem no EEG. As ondas delta, ainda mais lentas, estão associadas ao sono ou coma profundo. Experiências demonstram que quando um indivíduo entra num estado de tranquilidade profunda através da prática de qigong, as ondas alfa do EEG tornam-se mais fortes do que em circunstâncias normais, com uma maior amplitude, frequência mais lenta e ritmo mais regular. Além disso, as ondas alfa tornam-se mais sincronizadas no córtex cerebral. Estes resultados nunca seriam atingidos por alguém que não praticasse qigong. Podem ser registadas ondas teta e delta em electroencefalogramas de alguns praticantes, indicando um grau excepcionalmente elevado de inibição no córtex cerebral. Mas o aparecimento destas ondas não é acompanhado por enfraquecimento ou desaparecimento das ondas alfa, como no caso do indivíduo adormecido ou hipnotizado. Isto só demonstra que quando se está sob a tranquilidade provocada pelo qigong, as condições do cérebro não são as mesmas das de repouso, sono ou hipnose. Implicam uma inibição activa do córtex cerebral contribuindo para a regulação, restabelecimento e melhoramento da actividade cerebral. Esta, assim melhorada, produz um efeito positivo no eixo adrenal pituitário do hipotálamo, que tem uma acção directa no sistema nervoso vegetativo. Quando um praticante de qigong está sob um estado de tranquilidade, a excitabilidade do sistema nervoso simpático é reduzida enquanto que a do sistema parasimpático aumenta beneficiando todo o organismo.

 

2. No Sistema Respiratório

 

Um adulto respira, normalmente, 16 a 18 vezes por minuto. No entanto, sob o estado de tranquilidade provocado pela prática de qigong, o indivíduo pode reduzir substancialmente a frequência da respiração. Um bom praticante pode inspirar apenas uma ou duas vezes por minuto sem se sentir incomodado. Através de raios X, observou-se que a média dos movimentos diafragmáticos de um praticante de qigong é 2 a 4 vezes mais lenta que de um indivíduo comum. Como consequência, a cavidade torácica aumenta substancialmente de volume. Contudo, a acentuada redução na frequência da respiração leva igualmente à redução da quantidade de ventilação por minuto e à diminuição da descarga de dióxido de carbono dos alvéolos pulmonares, resultando no aumento da pressão parcial de dióxido de carbono e na queda da pressão parcial de oxigénio nos alvéolos, assim como a diminuição do grau de saturação do oxigénio no sangue. Estas alterações, como reveladas na análise enzimática do sangue, não são o resultado de um metabolismo anaeróbico elevado. É por esta razão que o praticante de qigong consegue respirar tão lentamente sem se sentir sufocado. De facto, neste estado de tranquilidade, ele costuma sofrer uma descida do nível de metabolismo e da quantidade de oxigénio inspirado por unidade de tempo. Normalmente, um indivíduo consome menos 10% de oxigénio a dormir do que quando está plenamente consciente e consome ainda menos oxigénio quando atinge o estado de tranquilidade através da prática de qigong. Um metabolismo lento ajuda a preservar a energia que nos torna saudáveis e imunes a doenças.

A relação entre o centro respiratório e o sistema nervoso vegetativo pode ser controlada pela alteração do padrão respiratório através da prática de qigong. Está provado que a excitação do centro respiratório se propaga ao centro nervoso parasimpático, enquanto a excitação elevada do centro inspiratório se propaga ao centro nervoso simpático. Deste modo, o qigong ajuda a curar a falta de equilíbrio funcional no sistema nervoso vegetativo através de exercícios respiratórios. Para curar a hipertensão, por exemplo, é exigido ao doente que prolongue o processo de exalação, a fim de estabilizar a acção dos nervos simpáticos e aumentar a tensão dos nervos parasimpáticos produzindo, assim, um efeito relaxante e baixando a tensão arterial.

 

3. No Sistema Circulatório

 

Estudos científicos e testes clínicos comprovaram uma série de alterações fisiológicas causadas pelo exercício de qigong.

A tranquilidade induzida pelo qigong pode ter como resultado uma frequência cardíaca baixa, uma contracção muscular cardíaca mais eficaz, logo, uma batida cardíaca reduzida. O bom praticante consegue controlar a tensão arterial ao alterar o padrão respiratório. Pode causar o aumento ou redução de volume da corrente sanguínea nas partes do corpo em que concentre a sua atenção. Pode também usar o seu poder mental para provocar a redistribuição do sangue pelo corpo, podendo esta redistribuição ser confirmada pela amplitude da pulsação, reduzida na artéria temporal e elevada na artéria radial. Através de testes de absorção isotópica, provou-se que a permeabilidade dos vasos capilares pode ser melhorada através do exercício de qigong, o mesmo acontecendo com a circulação cardiopulmonar. A pressão arterial pulmonar pode também ser aliviada para benefício dos que sofrem de hipertensão pulmonar. A prática de qigong já provou o seu valor na alteração da composição do sangue, melhorando a função das células sanguíneas e activando o mecanismo da formação sanguínea. Por todas estas razões, o qigong é um meio eficaz de tratamento de alguns tipos de doenças crónicas, particularmente doenças cardiovasculares.

 

4. No Sistema Digestivo

 

Os métodos únicos de respiração empregues na prática de qigong aliados à amplitude dos movimentos diafragmáticos produzem massagens no estômago e intestinos. Tais massagens auxiliam e regulam a peristalse e a secreção glandular.

A actividade fisiológica do sistema digestivo é directamente controlada e regulada pelo sistema nervoso vegetativo. O qigong é eficaz na regulação da actividade do sistema digestivo porque, através dos métodos respiratórios utilizados na sua prática, é possível alterar o nível de excitação dos nervos simpáticos e parasimpáticos. A actividade fisiológica do sistema digestivo é também regulada pelo córtex cerebral e é sabido que as emoções afectam significativamente as funções gastrointestinais. O efeito regulador do qigong no sistema digestivo depende igualmente do equilíbrio emocional. Através da prática do qigong, indivíduos que sofriam de doenças como úlceras, disfunções no intestino delgado e diarreias frequentes melhoraram consideravelmente.

É de salientar que o efeito regulador do qigong no sistema digestivo é bidireccional, isto é, ajuda a ultrapassar a hiperfunção assim como melhora casos de hipofunção. Através da regulação da mente e da massagem aplicada no estômago, é fortalecida a peristalse no tubo digestivo, são estimuladas as secreções das glândulas digestivas como a saliva e sucos gástrico e duodenal e são produzidas mais enzimas digestivos que auxiliam a digestão. À medida que a tranquilidade vai sendo mais profunda, a peristalse abranda e a secreção de suco gástrico diminui para reduzir o consumo, enquanto a nutrição é assegurada.

 

5. No Sistema Endócrino

 

Como o qigong tem efeitos reguladores no sistema nervoso, é natural que tenha também influência no sistema endócrino, que é controlado pelo sistema nervoso.

Foi clinicamente provado que o qigong contribui para a redução do nível de açúcar no sangue em diabéticos. Testes de tolerância à glicose evidenciam que o valor mais alto de açúcar no sangue encontrado em indivíduos que praticavam qigong imediatamente após ingerirem açúcar é mais baixo do que num estado normal. Provavelmente é este o resultado da síntese rápida e da decomposição reduzida do glicogénio hepático. Sugere que o exercício do qigong pode estimular a acção da relação da insulina com o nervo vago enquanto contribui para suprimir a acção da relação da adrenalina com o nervo simpático e a acção adreno-cortical-pituitária.

O qigong pode produzir efeitos reguladores no metabolismo de várias hormonas. Indivíduos que sofrem de asma brônquica com níveis de cortico-esteróides anormalmente baixos na urina melhoraram depois de praticarem qigong durante duas semanas. Tal pode ser atribuído a alterações na função adreno-cortical. O qigong provou ainda ter efeitos reguladores sobre a hormona cortical do plasma, um fenómeno fisiológico de grande importância clínica.

 

6. No Sistema Imunológico

 

Está provado que o qigong actua sobre o sistema imunológico. Entre outros aspectos, auxilia o aumento da capacidade fagócita dos leucócitos, causa um aumento significativo na taxa de transformação dos linfócitos, destrói vários géneros de bactérias nocivas, aumenta o número de linfócitos, especialmente as células T e melhora a sua acção, controla o crescimento de células cancerígenas, aumenta o nível do monofosfato de adenosina cíclico (MFAC), uma substância que provoca a transformação no plasma de células cancerígenas em células normais e estimula a secreção da imunoglobulina a secretória e dos lisosomas na saliva de modo a aumentar a sua capacidade para destruir bactérias e vírus.

Cientistas de outros países deram igualmente a conhecer o valor do qigong no fortalecimento do sistema imune. Descobriram que a prática do qigong contribui para aumentar a densidade da prolactina no plasma, o que provoca o relaxamento; baixa o nível das hormonas corticais no plasma, aliviando a depressão e a tensão; retarda o envelhecimento ao diminuir o volume de proteínas.

As descobertas acima mencionadas, embora preliminares e superficiais, comprovam que o exercício regular do qigong contribui para o bem-estar físico de quem o pratica.